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Parte XV :  Fim da minha jornada nesse centro de umbanda, Reflexões Finais e Lições Aprendidas

Nessa parte, vamos mergulhar na fase final da minha jornada no centro de umbanda, marcada por desafios inesperados e revelações esclarecedoras. Recebi a Ordem de Trabalho que veio acompanhada de uma grande  responsabilidade gerando intenso conflito interno.

Também vamos abordar as questões administrativas que surgiram com um abuso de poder que finalmente me levou a deixar o centro. Essas experiências, embora amargas, foram fundamentais para a minha aprendizagem e crescimento. Refletindo sobre a minha jornada, revisito o espiritismo com um olhar crítico, avaliando as crenças, e aprofundando a minha compreensão da fé que escolhi seguir.

Compartilho como decidi abandonar a mediunidade de incorporação, mantendo, contudo, a minha fé firme e racionalizada.

A chegada da Ordem para atender pessoas em busca de ajuda: O Começo do fim para mim✨ ⏳🕯️

Depois ter passados anos nesse centro de Umbanda, um dia, recebi a minha recompensa por serviços prestados. Recebi o que se chama a ordem de trabalho. Significa que me foi confiada a tarefa de incorporar minhas supostas entidades para que elas acolhessem e tratassem as pessoas que vinham em busca de ajuda.

O que para mim significava que a partir daquele momento eu tinha uma responsabilidade enorme.

Conflitos Internos significativos

A hiperconsciência que eu desenvolvi sobre o problema da influência do médium nas comunicações, reforçada pelas crenças que adquiri através do Kardecismo a respeito das consequências de atos imorais, gerou em mim um conflito interno significativo.

Instintivamente a esta chamada de trabalho, minha primeira reação foi recusar com o coordenador. Mais uma vez ele me convocou e me disse o que ja tinha me dito quando tinha pedido de sair da corrente mediunica na época. Disse que era um templo de incorporação. Era pra mim decidir de atender pessoas ou sair.

Deixei a minha suposta entidade atender as pessoas, duas ou três vezes maximo.

Nessa altura comecei a faltar bastante nas giras.

A Atuação das Entidades e o Reflexo das Crenças

Embora minha suposta entidade tenha atendido poucas vezes, minhas crenças estavam em plena ação influenciando minha suposta entidade, o que levava minhas entidades a nao passar nem pedir nehuma vela, nenhuma oferenda, nem pedia nenhum ritual. Isso era bastante atípico em comparação com as outras entidades desse centro de Umbanda. Mais uma vez, vemos aqui a influência das crenças. Seriam essas entidades resistentes às tradições da Umbanda ou simplesmente um reflexo das minhas crenças?

Obviamente, aquilo que se aplica aos outros, também se aplica a mim. Nao tem nenhuma duvidas, minhas crenças estavam influenciando as ações da entidade. A minha resistência inicial, ou seja, a relutância que sempre senti em relação aos elementos tradicionalmente utilizados na Umbanda, impactou diretamente a minha suposta entitdade na hora 

Confronto com a Administração e a Decisão de Partir

No mesmo tempo, ocorreu ums problemas administrativos. Fazia parte da comissão da associacao. Coloquei o dedo num problema administrativo da associação que considerei importante e entrei em contato com o Pai de Santo no Brasil, que gerou trocas de e-mails. Também aproveitei para denunciar uma atividade clandestina, o que irritou o líder do centro, que levou para o lado pessoal e iniciou uma vingança pessoal, pois uns dos problemas envolvia a esposa dele, que estava usando seu status social hierárquico no templo para vender mercadorias bastante caras no centro, ao qual vários membros do centro havia sucumbido por se sentir pressionados. Eu também cai. Muita gente reclamava, ninguém tinha coragem de denunciar para o Pai de santo no Brasil. Eu nao tive medo nao.

 

Frustrado, o coordenador simplesmente ativou o poder que tinha. Esse abuso de poder fez com que ele convocasse todos os médiuns durante uma gira de quimbanda e me fizesse passar por inimiga, de modo que, caso eu decidisse voltar, seria percebida como alguém que não era mais a bem-vinda. Médiuns me contaram. 

 

Eu nao tive medo nenhum de denunciar essa irregularidade. Obviamente a mulher do líder também tinha encontrado uma janela de oportunidade para seus interesses pessoais. Esses dois acontecimentos junto, naturalmente, me deram a força, pra me livrar definitivamente desse centro em 2016. Ninguém soube o conteúdo das trocas de email com o pai de santo. Também fiquei sabendo depois que ele agiu imediatamente, tomando as providências necessárias. Pois e normal, a reputação do centro de umbanda dele mundialmente famoso estava em jogo. A atividade clandestina da mulher do líder que relatei foi interrompida imediatamente. Muito bravo, esse coordenador contou uma versão distorcida para que todos me vejam como uma inimiga.

Como afirmou o célebro médium brasileiro Chico Xavier, "Agradeço às dificuldades que passei, não fossem por elas, não teria saído do lugar onde estava."

No momento em que escrevo este trabalho, já se passaram 7 anos.

 

A Transformação Através do Desafio

É quando os custos superam os benefícios que as mudanças ocorrem. Foi o que aconteceu comigo. A ordem de trabalho combinada com esse abuso de poder teve um impacto significativo em mim. Todas as recompensas psicológicas e organizacionais às quais me tornei viciadas por causa de minha falhas, não tiveram mais efeito sobre mim. Todas essas recompensas me mantiveram inconscientemente presa nesse sistema.

 

Dualidade : Resistindo e Persistindo no Caminho da Mediunidade de incorporação

Como relatei, pouco tempo após a minha iniciação, percebi uma resistência que não conseguia decifrar completamente. Uma parte de mim parecia rejeitar essa "mediunidade", enquanto outra parte de mim se sentia estranhamente ligada ao centro, me impedindo de me distanciar. Por diversas vezes, expressei claramente ao coordenador meu desejo de sair da corrente mediúnica. Acredito que eu testava, de certa forma, presa nesse sistema bem elaborado e estratégico cheio de recompensas. Porém, não era apenas isso. Querendo ou nao aquela comunidade havia se tornado uma parte significativa da minha vida, e eu havia criado laços de afeição com algumas pessoas ali. Não so havia criado laços com pessoas, mas também criei laços com as minhas supostas entidades. Embora eu sabia que as incorporacaoes que eu vivi eram insignificante, e que uma grande parte veio de mim, eu tinha carinho para elas, porque elas estavam lá, mas não como eu gostaria. E claro que a teoria do apego também estava em jogo, tornando o pensamento de me afastar ainda mais difícil até o cruzamento desses dois eventos.

Lições Aprendidas e Sentimentos Compartilhados ⏮️🎢📚😌😣

Essa experiência me deixou uma lembrança amarga e preciosa ao mesmo tempo. Amarga porque é preciso reconhecer que minhas vulnerabilidades foram exploradas por um pai de santo, que criou um sistema estrategicamente muito bem elaborado. Amarga também porque fiquei terrivelmente zangada comigo mesmo por ter caído la dentro por causa das minhas próprias falhas.

Preciosa porque aprendi muito, sobre tudo na minhas vulnerabilidades, as minhas falhas, as armadilhas da mente, em particular as crenças, e a complexidade da mediunidade de incorporação. Teria tantas historias para contar para transmitir lições valiosas e ajudar as pessoas que têm dúvidas o pergunta sobre isso.

 

 

Minha mediunidade hoje: renúncia à incorporação

Voltei firme na Fé, mas de forma saudável e raciocinada. Voltei com todos esses ensinamentos comigo. No que me diz respeito, acabei definitivamente com a mediunidade de incorporação. 

 

As manifestações psicográficas ficaram. Não tenho uma Casa Espírita seria por perto onde eu posso trabalhar essa manifestação.  Ela parece ser mecânica, porque quando acontece só são impulsos.

A escrita é muito linda, são letras muitos antigas mas o que emerge é irrelevante.

Paradoxalmente, estou ciente de que poderia ser simples reflexos ideo-motores.

Deus sabe o quanto eu teria gostado de poder transmitir cartas consoladoras "intelligentes", mas obviamente não consigo fazer isso.

 

Minhas Reflexões Atuais sobre o Espiritismo 💭🔄🔬💡🤝

Acredito firmemente que é crucial exercitar um espírito crítico em relação às nossas crenças.

Isso nos ajuda a evitar conclusões precipitadas, como por exemplo atribuir automaticamente nossas dificuldades à lei do retorno, aos espíritos, ou às causas de vidas passadas.

Se a crença na vida após a morte e na provação faz parte da nossa fé, é essencial não atribuir tudo às nossas vidas passadas.

Este tipo de pensamento pode, na verdade, diminuir a qualidade e o desempenho de nossos desafios atuais e pode nos impedir de crescer e aprender.

 

Alem disso, considero importantissimo, sempre respeitando nossos níveis diferentes e experiências de cada um, a necessidade de falar dos problemas da mediunidade, a fim de distinguir as verdadeiras manifestações mediúnicas dos fenômenos ilusórios que poderiam nos enganar e obscurecer nos sa percepção.

Minha experiência me ensinou muitas lições. Também ela me aprendeu que devemos estar sempre prontos para questionar e analisar o que encontramos em nossa jornada.

Acredito que a vida e uma busca eterna, tudo muda, a ciência avança e devemos levar isso em consideração.

Nada é adquirido, tudo deve ser questionado repetidamente.

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Questionar suas crenças enraizadas pode ser um desafio, especialmente quando elas definem sua identidade e foram transmitidas por pessoas que respeitamos e valorizamos.

Essas crenças criam uma estrutura psicológica poderosa que oferece conforto e, em alguns casos, benefícios concretos, fortalecendo nossa ligação com elas. 

Lembre-se que somos lentos em acreditar no que doi acreditar.

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