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Parte XIV : A Influência Direta dos Espíritos em Nossas Vidas 

Nessa parte, vamos mergulhar em um dos conceitos mais fascinantes e debatidos no espiritismo - a ideia de que os espíritos podem ter um papel ativo e direto em nossas vidas.

Exploraremos as interpretações e mal-entendidos em torno desse conceito, especialmente conforme exposto em O Livro dos Espíritos de Allan Kardec. A interação entre o livre arbítrio humano e a influência espiritual desencadeia uma série de contradições que merecem nossa atenção e entendimento.

O que acontece quando a crença na influência direta dos espíritos se choca com a noção de livre arbítrio ? Como as nossas ações e decisões são moldadas por forças invisíveis, tanto espirituais quanto psicossociais?

E qual é o verdadeiro papel das entidades espirituais em nossas vidas?

Nesse capítulo, examinaremos a aparente tensão entre a predestinação espiritual e a autonomia humana, a importância do autoconhecimento e da responsabilidade pessoal, e o verdadeiro significado do desenvolvimento espiritual.

Também levantaremos questões provocantes sobre a suposta habilidade sobrenatural dos médiuns para influenciar diretamente os eventos da vida. Se tal poder existisse, por que nem todos os médiuns são extremamente ricos e bem-sucedidos? Poderia ser que essa influência espiritual direta seja mais uma ilusão do que uma realidade?

Prepare-se para uma reflexão profunda sobre a natureza do livre arbítrio, a influência espiritual e a nossa responsabilidade em relação às nossas próprias vidas. Esse capítulo irá desafiar suas suposições, questionar crenças enraizadas e iluminar um novo caminho de compreensão e responsabilidade pessoal.

 

No campo do espiritismo, um dos temas mais debatidos e interpretados é o da influência direta dos espíritos em nossas vidas. O Livro dos Espíritos, que é a base do espiritismo de Allan Kardec, aborda esta questão, mas muitas vezes, suas palavras são mal compreendidas. Nesse capítulo, vamos esclarecer a natureza dessa influência e explorar as implicações de acreditar que entidades espirituais têm um papel ativo e direto em nossas vidas.

A Interpretação de Kardec: Livre Arbítrio e a Influência dos Espíritos

No Livro dos Espíritos, que  Kardec codificou, esta mencionado que os espíritos podem influenciar os encarnados, mas essa ideia é frequentemente mal interpretada. Segundo a visão kardecista, os espíritos não controlam diretamente nossas ações, mas podem reforçar nossas inclinações e tendências preexistentes. Porém, isso não significa que nossas vidas são diretamente conduzidas por eles. Essa crença, se mal compreendida, pode levar a uma percepção distorcida da realidade e a uma diminuição de nossa responsabilidade pessoal.

Contradição e Coerência: Livre Arbítrio vs Influência Espiritual

Existe uma contradição aparente entre acreditar no livre arbítrio e, ao mesmo tempo, na influência direta de entidades espirituais sobre nossas ações. Esse é um paradigma que requer coerência - ou possuímos livre arbítrio, ou não.

Não podemos evocá-lo convenientemente de acordo com a situação.

O conceito de livre arbítrio é um tema frequentemente debatido em campos como filosofia, psicologia e teologia. Tanto no Espiritismo, quanto no Kardecismo e na Umbanda, a noção de livre arbítrio é comumente colocada em contraste com a ideia de predestinação ou da influência direta dos espíritos. Nesses campos, muitas pessoas acreditam em um destino pré-estabelecido ou que as entidades espirituais têm poder direto sobre nossas vidas, uma visão que pode conflitar com a noção de que somos, de fato, os autores de nossos próprios destinos.

Entender o significado verdadeiro do livre arbítrio, no entanto, pode levar a uma compreensão mais profunda tanto das influências espirituais quanto de nossas próprias ações.

O livre arbítrio pressupõe que temos controle sobre nossas ações e que somos responsáveis por elas. Contudo, isso não implica que nossas decisões e ações estejam totalmente desvinculadas de influências externas. Estamos constantemente sob a influência de uma variedade de forças, tais como nossas experiências passadas, nossa cultura, nossos instintos e até mesmo nossa biologia. Esses fatores, frequentemente invisíveis e subconscientes, moldam nossas decisões e ações, muitas vezes de maneiras que não percebemos. Na psicologia, essas forças são reconhecidas e estudadas como elementos-chave que influenciam nosso comportamento.

A Realidade Psicossocial Versus a Influência Espiritual

Na vida quotidiana, encontramo-nos sob a influência de várias forças - psicológicas, sociais e culturais. Essas forças podem ser tão potentes e enraizadas que podem parecer como se estivéssemos sob a influência de entidades espirituais externas. No entanto, é crucial reconhecer que essas forças não são de fato entidades espirituais, mas aspectos da nossa psicologia e do ambiente sociocultural em que vivemos.

 

O Poder do Autoconhecimento e da Responsabilidade

A compreensão e a consciência dessas forças, muitas vezes confundidas com a influência espiritual, são fundamentais. Com esse conhecimento, é possível fazer escolhas mais conscientes e adotar um paradigma de vida mais alinhado com a realidade. Se optamos pela visão de que possuímos livre arbítrio, então devemos viver de acordo com este princípio, assumindo a responsabilidade por nossas ações e decisões, em vez de atribuir os resultados a uma suposta influência espiritual externa.

A Responsabilidade Pessoal e o Desenvolvimento Espiritual

Adotar essa visão de responsabilidade pessoal não apenas nos capacita a fazer mudanças significativas em nossas vidas, mas também nos permite cultivar um maior desenvolvimento espiritual. Ao invés de buscar respostas ou soluções externas para nossos problemas, aprendemos a olhar para dentro de nós mesmos, reconhecer nossas próprias forças e limitações, e a tomar decisões que estejam em sintonia com nosso verdadeiro eu. Em vez de culpar espíritos ou as entidades espirituais por nossas dificuldades, somos convidados a encarar nossos desafios como oportunidades para o crescimento e a evolução pessoal. E é nesse ponto que a influência espiritual assume seu verdadeiro significado, não como uma força externa que controla nosso destino, mas como um reflexo de nossa própria consciência e vontade.

A Ilusão da Influência das entidades diretamente na nossa vida: A Realidade dos Médiuns

Se as entidades dos médiuns realmente possuíssem uma capacidade sobrenatural de influenciar diretamente os eventos da vida, seria de se esperar que eles estivessem imensamente ricos e bem-sucedidos. Afinal, a natureza humana é conhecida por seus vícios e desejos, e qualquer um com essa habilidade mágica certamente a utilizaria para seu próprio benefício. No entanto, a realidade que observamos não corresponde a essa expectativa.

 

Em vez disso, vemos que a fortuna dos médiuns e pais de santo varia muito, e muitos levam vidas bastante modestas. Isso sugere que, se alguns são mais prósperos do que outros, isso é provavelmente devido à sua habilidade em atrair crentes desesperados dispostos a pagar por seus serviços, e não a qualquer poder sobrenatural para influenciar diretamente os eventos da vida. É, portanto, através das vulnerabilidades dos crentes que alguns prosperam.

Além disso, se tais poderes existissem e fossem tão eficazes quanto sugerido, certamente veríamos pessoas correndo para explorá-los, dada a inclinação humana para o autointeresse.

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