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Parte XIII : Um sistema que traz benefícios pessoais não apenas para o pai de santo, mas também para médiuns predadores. Alguns oferecem serviços mediúnicos. Outros procuram clientes potencial para vender seus serviços ou produtos clandestinamente.

Nessa parte, iremos nos aprofundar em um lado mais sombrio e muitas vezes ignorado das práticas mediúnicas. Examinaremos de perto como certos médiuns aproveitam a estrutura e a influência de seus centros para obter benefícios pessoais, explorando frequentemente os membros mais vulneráveis de sua comunidade. Vamos revelar como essas práticas predatórias podem proliferar, especialmente em centros maiores.

Nessa parte, você vai descobrir histórias perturbadoras de abuso de poder e exploração financeira.

Destacaremos também o silêncio assustador que muitas vezes envolve essas práticas predatórias. Como o medo de represálias espirituais pode manter as vítimas caladas, permitindo que essas atividades prejudiciais continuem e perpetuem os danos à comunidade.

Nosso exame dos sistemas de poder e controle nas organizações religiosas nos leva agora a um fenômeno preocupante que ocorre nas margens desses sistemas. Descobrimos que há médiuns que tiram vantagem da estrutura do centro de Umbanda para obter benefícios pessoais, muitas vezes à custa de membros vulneráveis da comunidade. Nesse capítulo, exploraremos as formas como esses médiuns oportunistas exploram seu status social e autoridade para oferecer serviços e produtos para fins lucrativos, muitas vezes de maneira clandestina.

Quanto maiores são os centros de Umbanda, mais essas atividades se intensificam

Assim como ocorre em qualquer sociedade, há médiuns que violam as normas estabelecidas pelo centro, realizando práticas que não são permitidas e são contraproducentes para o seu próprio desenvolvimento espiritual, como também prejudicam a comunidade e aqueles que procuram auxílio. À medida que o centro cresce em tamanho, essas atividades tendem a crescer proporcionalmente. Uma ex-médium do centro, que se tornou uma amiga, compartilhou comigo uma história que ilustra essa prática predatória.

 

Na época dos acontecimentos, ela era uma médium iniciante.

Durante uma gira de quimbanda, ela foi consultar uma suposta entidade que teria prometido a ela uma solução para o seu problema.

Essa amiga, que me confessou passar difficuldades financeiras, caiu numa armadilha. Após a incorporação do médium, costuma-se fazer um relato ao médium que desincorpora quando volta ao estado ordinário de consciência.

O que obviamente não faz sentido, já que a maioria dos médiuns estão conscientes durante essas incorporações.

Foi la que a médium referente dela, mais graduado, teria encaminhado ela para outro médium, que não fazia parte desse centro de umbanda.

 

Esse pai de santo prometeu que suas entidades resolveriam seus problemas. Emocionalmente envolvida, ela finalmente cedeu. O valor cobrado por esse pai de santo era exorbitante. E o equivalente a dois salários médios. Isso pode levar a questionamentos legítimos. Várias vezes eu me perguntei se essa médium do centro teria recebido uma parte desse valor por tê-la indicado.

 

O silencio como inimigo

Obviamente quem acredita que uma "entidade" pode agir diretamente positivamente na sua vida, também acredita que ela pode prejudicar. Essa crença impede as pessoas de denunciar esses médiuns porque temem de represálias das entidades. Por isso, ela nao quiz denunciar.

Devemos considerar que existem duas tipos de vítimas nesses casos. Primeiro, os médiuns iniciantes que recorrem aos mais graduados em busca de orientação e conselhos, e, segundo, as pessoas que procuram os médiuns em busca de ajuda espiritual. Ambos os grupos são vulneráveis a serem prejudicados pelo comportamento inadequado dos médiuns mais graduados.

Há uma contradição inerente nas crenças dos médiuns que é revelada quando se considera o silêncio diante de comportamentos prejudiciais ou inadequados dentro de suas comunidades. De acordo com suas crenças, as entidades que incorporam são tipicamente vistas como forças de bondade e justiça. No entanto, o medo de represálias dessas mesmas entidades desencoraja a exposição e a denúncia de comportamentos prejudiciais.

Essa contradição pode ser um reflexo de uma falta subjacente de confiança na natureza e integridade das entidades que esses médiuns acreditam incorporar. É uma indicação de que, embora esses médiuns possam professar sua fé nas entidades, há também um grau de incerteza e medo presente. Isso pode ser visto como uma falha na compreensão ou na aplicação dos princípios fundamentais da filosofia espiritual que abraçam. E necessário um exame mais aprofundado das crenças e práticas desses médiuns para entender melhor e abordar essas inconsistências.

Muitas pessoas estão cientes dessas atividades mediúnica clandestinas, mas optam por permanecer em silêncio. A ideia de expor ações negativas de alguém que supostamente tem entidades capaz de agir negativamente na vida da gente pode ser desconfortável e até mesmo angustiante. 

O medo mantém as pessoas em silêncio. Esse silêncio permite que as atividades prejudiciais continuem, perpetuando danos à comunidade e prejudicando a integridade do centro. 

Desafiar o medo e o silêncio é um passo crucial para a transformação e a autenticidade em qualquer prática mediúnica.

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