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Parte XII : A relevância do material no trabalho das entidades

Nessa parte, iremos mergulhar no misterioso mundo dos rituais da Umbanda e da importância dos materiais e paramentos utilizados. Desafiaremos as normas, questionando se o uso desses itens é realmente necessário para as entidades exercerem seu trabalho, ou se eles servem apenas como suporte simbólico ou psicológico. Iremos abordar a exclusão de membros resultante da insistência em adquirir paramentos de alto custo e discutiremos a real função dos objetos materiais nos rituais.

Além disso, questionaremos se a adesão estrita às tradições, mesmo aquelas que parecem redundantes, pode realmente estar impedindo a evolução espiritual. 

Finalmente, enfrentaremos o delicado equilíbrio entre honrar a tradição e evitar um foco excessivo em elementos externos, o que pode levar à negligência do trabalho interno necessário para o verdadeiro crescimento.

Na Umbanda, é comum o uso de materiais específicos durante as "giras" (cerimônias). No entanto, a necessidade real desses materiais pode ser questionada. Por exemplo, no país onde eu estava, o Pai de Santo proibiu o uso de charutos para as entidades, mas isso nunca impediu as entidades de trabalhar.

Isso indica que a prática pode ser adaptada de acordo com as circunstâncias locais e constrangimentos específicos, sem comprometer a capacidade de “trabalho” das entidades. As entidades parecem conseguir se adaptar a essas mudanças. Já que o Pai de Santo tirou esse material, significa que ele está bem ciente disso. Ele nunca teria removido o material se fosse um problema, especialmente porque ele tira vantagens do centro dele. Esse ponto levanta uma questão fundamental: E necessário é o material ? Qual é o seu real papel nessas práticas? Esses objetos são essenciais para entidades espirituais ou têm um papel mais simbólico ou psicológico para o médium e a comunidade? Tudo sugere que esses objetos nao são realmente essenciais para entidades.

Se esse material não é necessário para a entidade, então por que integrá-los? É realmente útil ? Sera útil em nome da tradição ? Isso é realmente uma boa ideia? Essa questão merece ser levantada. Também respondarei a essa pergunta.

 

Os Paramentos na umbanda são Realmente Necessários na Umbanda?

Se o material não é essencial para o trabalho de uma entidade, a mesma questão surge para os paramentos das entidades. Presenciei várias giras onde os médiuns haviam esquecido os paramentos da entidade, o que não impedia a entidade de trabalhar. Isso nos leva a questionar a real utilidade dos paramentos também.

É importante especificar que a obrigação de adquirir paramentos exclusivamente em um centro específico, e a preços elevados, pode gerar problemas. Isso se torna especialmente relevante quando é evidente que as entidades são capazes de se adaptar e continuar a trabalhar mesmo sem paramentos ou materiais específicos.

Os altos preços podem levar à exclusão daqueles que não têm recursos para esses gastos, manchando potencialmente a reputação desse templo em particular que promove a crença de que a umbanda é feita para todos.

 

Se não houver um fundamento espiritual legítimo, essa prática pode ser interpretada de duas maneiras: ou como uma forma de perpetuar a tradição, ou como um meio de gerar renda. Esses são aspectos que definitivamente merecem uma atenção e análise crítica. Conheço uma ex-médium muito dedicada que adorava a Umbanda, e que foi expulsa do centro apenas por não conseguir pagar algumas coisas no centro. Mais uma vez, isso levanta questionamentos sobre as verdadeiras intenções desse determinado centro de Umbanda.

 

O Papel dos Objetos Materiais e dos Rituais na Umbanda: Um Potencial problema

Além das mensagens vagas e genéricas, as supostas entidades frequentemente requerem a utilização de objetos materiais, como velas, oferendas, e rituais específicos. Essas exigências podem, à primeira vista, parecer parte intrínseca da prática da Umbanda. No entanto, do ponto de vista de um observador mais crítico, elas podem levantar questões.

 

O uso de objetos materiais e a realização de rituais podem ter um efeito poderoso na psicologia humana. Eles podem criar um senso tangível de sacralidade, reforçar a crença no poder das entidades, e facilitar a imersão no ritual.

 

E fundamental entender que o verdadeiro trabalho ocorre dentro de nós - no âmbito do nosso pensamento, emoções e consciência. Embora os rituais, objetos sagrados e práticas externas possam ter um papel importante em certas tradições, eles não devem ser vistos como o principal motor de transformação espiritual. Eles são, na melhor das hipóteses, ferramentas que podem ajudar a facilitar e apoiar o trabalho interno que estamos fazendo.

 

Retirada de Elementos Tradicionais pelas "Entidades" e a Continuidade de seu Trabalho

Além disso, é interessante notar que o Pai de Santo havia tirado uma parte dos elementos tradicionalmente associados às entidades e, mesmo assim, as supostas entidades continuavam a trabalhar. Ele sabia que funcionava. Caso contrário, ele nunca teria feito isso. Mesmo se as minhas supostas entidades atenderam pessoas poucas vezes, e importante notar que elas nunca recorreram ao uso de velas, rituais ou oferendas.

 

Lembro a minha cabocla ter dito para algumas pessoas surpresas de não ter velas a ascender  « que a vela esta no coracao e e là que vc tem que acender».

Questionando a Necessidade de Elementos Materiais e Rituais na Prática Espiritual

Isso demonstra que a presença desses objetos e rituais pode não ser essencial para a prática espiritual, pelo menos do ponto de vista das entidades.

No entanto, poderíamos pensar que a preservação desses elementos materiais e rituais serviria como uma homenagem à tradição da Umbanda. Mas, é importante perguntar: essa é realmente uma boa ideia?

 

Homagear a Tradição ou Impedir a Evolução? Um Dilema na Umbanda

Preservar a tradição é importante para manter a continuidade cultural e histórica, e para proporcionar uma sensação de identidade e pertencimento. No entanto, a aderência cega à tradição pode, em alguns casos, impedir o progresso e a evolução.

 

O Perigo de se Focar Demais em Elementos Externos na Prática Espiritual

Quando focamos demais nos elementos externos, como rituais e oferendas, há o risco de nos distrairmos da necessidade de trabalhar internamente em nosso próprio desenvolvimento pessoal e espiritual.

 

O risco é que, colocando muita ênfase nesses aspectos externos da prática, podemos nos tornar passivos e esperar que os rituais ou objetos realizem a transformação por nós. Isso pode nos levar a negligenciar o trabalho interno mais difícil, mas crucial, de introspecção, auto-observação e mudança de padrões de pensamento e comportamento que são necessários para o verdadeiro crescimento e desenvolvimento.

 

Em outras palavras, os rituais e objetos não têm o poder de nos transformar internamente por si mesmos. Eles podem nos ajudar a focar a nossa intenção, criar um espaço sagrado, ou servir como lembretes simbólicos de nossos compromissos espirituais. No entanto, a verdadeira transformação só pode ocorrer quando nós mesmos nos engajamos ativamente no processo, e isso envolve olhar para dentro, reconhecer nossas falhas e fraquezas, e fazer o trabalho duro de mudar nossos padrões internos de pensamento e comportamento.

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