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Parte VIII: Decifrando o Enigma das Incorporações Mediúnicas na Umbanda

Aqui, nós desvendamos as teorias científicas do século XIX. Mas essa jornada vai além dos limites dessas teorias existentes. Baseada em minha experiência pessoal como médium de incorporação na Umbanda, apresento minha própria hipótese - uma síntese, que não apenas concorda com as modernas interpretações neurológicas e psicológicas, mas também acrescenta um olhar único, proporcionado por minhas experiências pessoais.

Nesse capítulo, você será convidado a explorar o complexo funcionamento da mente e a dualidade inerente à mediunidade. Você será desafiado a reconsiderar as percepções convencionais de comunicação espiritual e a confrontar as limitações das teorias existentes.

Teorias Científicas do Século XIX sobre a Mediunidade

No Livro dos Espíritos, Allan Kardec discute duas teorias predominantes no século XIX, propostas por cientistas para explicar os fenômenos de manifestações espirituais. A primeira, a teoria do sonambulismo magnético, considera o médium em um estado de "sonambulismo acordado", onde ele poderia extrair informações do próprio subconsciente. A segunda, a teoria reflexiva, sugere que o médium é como um espelho, refletindo as ideias, pensamentos e conhecimentos de seu ambiente.

Kardec desde do inicio foi claro. Na introdução do livro dos espíritos, ele reconhece a possibilidade da influência do médium nas comunicações. Essa informação aparece, na versão original francesa do livro dos espíritos.

Era uma de suas preocupações para o futuro do espiritismo. Porem ele acrescentou dizendo que essas teorias não conseguem explicar completamente os fenômenos observados.

 

Minha Hipótese: Combinando Subconsciente, Ambiente e manifestação mediúnica

Baseado em minha experiência pessoal como médium de incorporação na Umbanda, proponho uma síntese dessas teorias. Em minha hipótese, o médium entra em um estado alterado de consciência, semelhante a um estado hipnótico, no qual ele pode extrair informações tanto de seu subconsciente quanto de seu ambiente.

Reconheço que a chegada da entidade (entrada em estado alterado de consciência) e acompanhada por uma manifestação difícil de descrever, como se uma força externa assumisse o médium. Essa sensação é particularmente notável ao som das percussões e e na chegada da suposta entidade.

Teorias científicas atuais

De acordo com as teorias atuais, a neurologia e a psicologia tendem a considerar os fenômenos como a mediunidade como manifestações do complexo funcionamento do cérebro, com o médium acessando as informações de seu próprio subconsciente.

Minha hipótese está em consonância com essas interpretações modernas, mas também acrescenta elementos adicionais com base em minhas observações e experiências pessoais.

Nas comunicações que seguem à incorporação, conforme ilustrado no capítulo anterioras informações transmitidas assumem uma forma definitivamente humana, influenciada, muito provavelmente, pelos desejos, medos, experiências de vida e ambiente do médium. Isso sugere uma complexidade dupla na mediunidade: enquanto a incorporação inicial parece indicar uma influência externa, a substância das comunicações que seguem parece influenciada pelo subconsciente e pelo ambiente do médium. Ou seja, a presença de uma entidade pode ser sentida, mas a característica das mensagens comunicadas parece se entrelaçar com as experiências do médium. 

De acordo com teorias contemporâneas da psicologia, essa força externa poderia também ser atribuída à influência do subconsciente. Essa sensação de sentir uma força dominando o corpo, que pode fazer com que os médiuns percam o equilíbrio e até caiam no início de sua iniciação, poderia ser explicada por mudanças nos processos automáticos e subconscientes.

Por que a minha hipótese se alinha com a de Kardec ?

No entanto, com base na intensidade dessas experiências que vivenciei repetidas vezes, tenho dificuldade em aceitar que tudo se origina unicamente do subconsciente. A intensidade e a vivacidade dessas sensações apontam, em minha opinião, para uma realidade que transcende a mera atividade subconsciente. Minha hipótese se alinha com a perspectiva de Kardec, no sentido que as teorias existentes não conseguem explicar completamente os fenômenos de manifestações mediúnicas e das comunicações inteligentes presentes em alguns casos no Kardecismo.

Outro aspecto que confunde a teoria do subconsciente é que, no centro umbandista que frequentei, as entidades femininas como as Caboclas não tinham um papel significativo, nem eram valorizadas. As entidades que eram mais enfatizadas e valorizadas eram os Caboclos de Ogum e de Xangô. Então, como explicar que, sem qualquer interesse particular, condicionamento e sugestão prévia, eu terminei incorporando uma Cabocla de Oxóssi ?

O que torna essa situação ainda mais intrigante é que, dada a reputação e o destaque dos Caboclos de Ogum, meu desejo pessoal estava mais alinhado com essas entidades. No entanto, a entidade que acabei por incorporar era uma Cabocla de Oxóssi, pela qual eu não tinha demonstrado um interesse particular ou uma predileção. Ogum é reconhecido por ser o orixá que abre caminhos, uma crença que exerce grande influência sobre os fiéis. Essa percepção faz com que ele seja altamente solicitado e desejado pelos médiuns, o que era meu caso. Dito de outra forma, entidades masculinas, como os Caboclos de Ogum e Xangô, tinham mais impacto do que as femininas nesse centro. Embora, isso pode refletir a possível influência dos estereótipos de gênero e das estruturas de poder existentes na nossa sociedade, o fato é que as Caboclas não tinham sucesso não. Elas jamais eram convocadas para rituais de trabalho e não eram populares. Quase ninguém ia consultá-las. Esse contraste entre minha preferência consciente e a realidade da incorporação aumenta ainda mais a complexidade do fenômeno, sugerindo que as influências em jogo vão além de simples expressões do subconsciente.

Como podemos entender isso à luz da teoria do subconsciente?

Portanto, minha hipótese se alinha com Kardec em reconhecer que as teorias atuais não conseguem explicar completamente os fenômenos.

Comunicações Inteligentes: Raras, mas Reais no Kardecismo

No entanto, apesar de eu nunca ter observado pessoalmente comunicações inteligentes no contexto da Umbanda, na tradição Kardecista, presenciei comunicações inteligentes que não podem ser explicadas por entendimento humano normal ou reduzidas a fenômenos ilusórios.

Essas experiências sugerem que, embora tais comunicações inteligentes possam ser raras, elas de fato existem.

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