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Parte VI : Análise das Comunicações e das Entidades Espirituais

Dê um mergulho profundo no coração da interação mediúnica. Nessa parte você descobrirá a fascinante e complexa dança de influências humanas e espirituais na Quimbanda e Umbanda. Você se sentirá desafiado ao questionar a sacralidade das mensagens transmitidas e ao descobrir a importância do papel dos médiuns nessas práticas.

Esse capítulo revela como os traços individuais dos médiuns, suas experiências pessoais e linguagem, podem ser refletidos diretamente nas entidades que eles incorporam. Você descobrirá como os comportamentos ousados ​​das entidades dentro da Quimbanda podem ser amplificados, sugerindo que as entidades podem ser um espelho dos médiuns, mais do que se pensava anteriormente.

Prepare-se para desafiar suas percepções anteriores, descobrindo a verdadeira influência dos médiuns nas comunicações mediúnicas.

No contexto da Quimbanda (giras da esquerda), observei uma complexa interação de influências humanas e espirituais. No entanto, essas observações e questionamentos não são exclusivos a essa prática - percebi que tais interações e comportamentos também estão presentes na Umbanda (giras da direita). Isso levanta várias questões sobre a sacralidade percebida das entidades e das mensagens que elas transmitem em ambas as práticas espirituais.

 

Analisando apenas o conteúdo das mensagens

Gostaria de esclarecer que minhas análises são voltadas exclusivamente para o conteúdo das mensagens das supostas entidades. Não estou questionando a manifestação mediúnica em si. O foco da minha análise é estritamente sobre as mensagens que são transmitidas. Observei uma interação complexa entre as influências humanas e espirituais dentro da Quimbanda e da Umbanda.

Isso levanta questões sobre a integridade e a sacralidade das mensagens transmitidas pelas entidades espirituais, bem como sobre o papel dos médiuns nessas práticas.

Diversidade de Comportamento e Linguagem:

Através de minhas observações, identifiquei uma vasta variação no comportamento e linguagem das entidades na Quimbanda. Esse aspecto desafia o estereótipo de que todas as entidades apresentam uma linguagem audaciosa e desinibida. Um exemplo vívido é a minha suposta pomba gira, que não exibia esse comportamento esperado.

Essa diversidade de comportamento e linguagem aponta para a singularidade de cada entidade, reforçando a ideia de que cada uma delas é uma personalidade única e distinta. No entanto, as observações também lançam luz sobre o papel crucial dos médiuns. Suas características individuais, juntamente com sua formação pessoal, cultural e espiritual, podem moldar significativamente a maneira como interpretam e expressam as entidades que incorporam.

O significado dessa análise é duplo. Por um lado, destaca a rica diversidade de entidades presentes na Quimbanda realçando a diversidade das entidades na Quimbanda, e desafiando estereótipos populares ao mostrar que nem todas são audaciosas e desinibidas.

Por outro lado, sublinha a influência marcante dos médiuns na manifestação das entidades. Em última análise, essa seção nos desafia a repensar a interação dinâmica entre os médiuns e as entidades que incorporam, um fator crucial que molda o panorama complexo das práticas mediúnicas.

Traços linguísticos dos próprios médiuns

Notei a intrincada presença de traços linguísticos dos próprios médiuns nas entidades que eles incorporam. Esse fenômeno foi claramente exemplificado por um dos médiuns, que tinha o hábito de dizer "pouxa". O que é surpreendente, porém, é que sua cabocla, uma entidade espiritual que ele incorpora, manifestava o mesmo hábito linguístico.

Esse padrão sugere uma influência significativa e reveladora dos médiuns sobre as entidades que eles manifestam. Parece que os traços individuais dos médiuns, até mesmo suas peculiaridades linguísticas, podem modelar a forma como as entidades se expressam.

Esse elemento lança luz sobre a maneira como a personalidade e a identidade dos médiuns podem influenciar diretamente o comportamento e a comunicação das entidades que eles afirmam incorporar. Portanto, não só o conteúdo, mas também o estilo e a forma das mensagens transmitidas podem ser influenciados pelas características únicas dos médiuns.

Em essência, esse subcapítulo reforça a ideia de que a comunicação mediúnica é uma dança delicada de influências espirituais e humanas. O papel do médium é mais do que apenas um canal passivo; eles são co-criadores ativos da experiência mediúnica, moldando a natureza e a forma das mensagens transmitidas.

Reputação e Comportamento:

As entidades da Quimbanda são frequentemente caracterizadas por uma linguagem audaciosa e comportamentos desinibidos. Em certas ocasiões, é possível observar um amplificação deste comportamento, principalmente devido ao ambiente familiar e fechado das giras. Em tais contextos, comportamentos usualmente considerados inapropriados, como arrotos e flatulências, se tornam mais evidentes. Esta observação é particularmente relevante nos centros de Umbanda, onde as giras de esquerda são frequentemente fechadas ao público. Como combona, o que significa que eu era assistente das entidades do coordenador, tive a oportunidade de observar as mudanças comportamentais dessas entidades na presença e na ausência do pai de santo. Notadamente, na ausência do pai de santo, a entidade do coordenador se mostrava claramente mais desinibida.

Esse fenômeno abre espaço para uma reflexão sobre a maneira como a reputação dessas entidades e o ambiente confortável das giras podem permitir que os médiuns se sintam mais à vontade para expressar suas próprias personalidades. Isso intensifica a manifestação desses comportamentos, o que pode ter implicações importantes na percepção e compreensão da experiência mediúnica.

As entidades da Quimbanda são geralmente percebidas como audaciosas e provocadoras. No entanto, a amplificação de seu comportamento dentro da atmosfera íntima reforça a ideia de que os médiuns podem se sentir mais liberados para expressar sua própria personalidade, por vezes de maneira excêntrica ou chocante.

Em resumo, esse subcapítulo lança luz sobre a complexa interação entre a personalidade do médium, a reputação das entidades espirituais e o contexto das giras, na formação das comunicações mediúnicas. O resultado é uma mistura de influências humanas e espirituais, que desafiam nossas compreensões convencionais da mediunidade.

Hierarquia e Influência Individual:

A análise das práticas mediúnicas nos leva a uma constatação intrigante. Observei que o líder do centro, em sua posição de médium mais graduado, apresenta comportamentos mais audaciosos e não convencionais durante as incorporações, sugerindo que a posição hierárquica e a personalidade do médium desempenham um papel crucial na manifestação das entidades. Comportamentos como arrotos e flatulências são especialmente presentes em suas entidades, trazendo à tona a questão crucial: as manifestações refletem apenas as entidades ou também os médiuns?

Durante as giras fechadas, o líder do centro, incorporando sua entidade, expressava frequentemente sentimentos de raiva e frustração, especialmente em situações de conflito interpessoal. Esse comportamento levanta questões: Seriam essas emoções realmente expressões da entidade, ou seriam elas reflexos dos sentimentos do próprio líder do centro? Se as entidades são consideradas sagradas e transcendem o médium, por que expressariam emoções humanas tão fortemente ligadas ao contexto e à situação pessoal do médium?

Essas observações apontam para a influência potencialmente significativa da posição hierárquica e da personalidade individual dos médiuns sobre a natureza das manifestações. Isso nos leva a questionar não apenas a sacralidade das mensagens transmitidas, mas também o papel dos médiuns nas práticas mediúnicas.

Em resumo, essas observações reforçam a noção de que a influência do médium é um fator determinante na qualidade das mensagens e no comportamento das entidades, desafiando a suposta natureza puramente sagrada dessas comunicações. 

A Complexidade da Incorporação Mediúnica e seus efeitos

Levando em consideração essas observações e análises, é crucial adicionar que a complexidade do fenômeno de incorporação mediúnica não pode ser subestimada. Esse é um processo que envolve um estado de transe mediúnico e alterações na consciência, o que pode tornar a linha que separa a suposta entidade e o médium bastante confuso.

E um fato estabelecido que a experiência subjetiva do transe mediúnico pode ser influenciado por diversos fatores, como expectativas, crenças pessoais, estado emocional e outros fatores contextuais. Isso foi demonstrado nos capítulos anteriores. E muito importante ressaltar que o transe mediúnico é um estado de consciência modificado, no qual vivenciamos experiências que podem parecer muito reais e tangíveis. Nesses estados, é comum que as percepções, sensações e informações recebidas sejam vivenciadas de forma profunda e autêntica.

O transe mediúnico é complexo nesse sentido.

No entanto, também nos deparamos com a possibilidade de manipulação e perigo quando a exploração desses estados modificados de consciência não é adequadamente orientada.

Por exemplo, é comum ouvir nos centros de umbanda que a entidade incorporada deve se submeter às regras da casa para trabalhar nessa casa. Observando e vivenciando a prática da incorporação mediúnica, notei que as entidades frequentemente repetiam exatamente o que havia sido dito pelo Pai de Santo ou pelo coordenador em um estado de consciência normal. Isso nos leva a questionar a pertinência dessa afirmação e nos faz refletir: será que estamos realmente lidando com uma entidade autêntica ou apenas presenciando condicionamentos? 

Nesse ponto, é crucial considerar outra camada de complexidade: a possibilidade de que os médiuns possam, de forma consciente ou inconscientemente, manipular seus estados de consciência para alcançar objetivos específicos. Eles podem criar expectativas sobre a entidade a ser incorporada, moldando inconscientemente as mensagens recebidas para corresponder a essas expectativas. Além disso, a influência do contexto social e cultural em que a incorporação ocorre não pode ser subestimada. As mensagens transmitidas podem refletir mais as crenças e valores do grupo do que as da entidade supostamente incorporada.

Se as mensagens são, de fato, influenciadas pelo próprio médium, isso questiona mais uma vez a sua suposta natureza sagrada. Além disso, é crucial reconhecer que muitas pessoas que procuram ajuda nesses contextos podem não estar totalmente cientes dessas complexidades. Isso pode comprometer não apenas a eficácia da prática, mas também levantar questões éticas.

Aqueles que procuram orientação ou assistência esperam se comunicar genuinamente com uma entidade sagrada. Se as mensagens são, na verdade, produto da mente do médium, isso pode significar que essas expectativas não estão sendo atendidas.

 

Natureza das Mensagens: Notei certa superficialidade nas mensagens transmitidas pelas entidades, que muitas vezes faltam de profundidade e insight. Essa observação poderia questionar a verdadeira natureza dessas entidades e o valor espiritual de seus ensinamentos.

Além disso, é crucial reconhecer que muitas pessoas que procuram ajuda nesses contextos podem não estar totalmente cientes dessas complexidades. Isso pode não apenas comprometer a eficácia da prática, mas também levantar questões éticas. De fato, aqueles que procuram orientação ou assistência esperam se comunicar genuinamente com uma entidade sagrada. Se as mensagens são, na verdade, o produto da mente do médium, isso poderia significar que essas expectativas não estão sendo atendidas.

A Diversidade das Entidades Espirituais e as Expectativas em relação à Umbanda

De acordo com Allan Kardec, o mundo espiritual é povoado por uma grande diversidade de espíritos. Na medida em que se acredita na sobrevivência da alma, isso não é tao surpreendente. Poderia ser interpretado como um reflexo da diversidade que encontramos entre os humanos. Como existem humanos de todos os gêneros, existem também espíritos de todos os tipos. Fala-se na visão kardecista de diferentes níveis espiritual entre esses espíritos. Minha interrogação quanto à Umbanda se refere às entidades invocadas durante as giras. Elas são geralmente apresentadas como "entidades de Luz" ou "entidades de Lei", o que implicaria um certo grau de sabedoria. Assim, a natureza de suas mensagens e manifestações deve refletir isso.

É aqui que surgem minhas dúvidas.

 

A Falta de Profundidade e inteligência nas Mensagens Espirituais

Analisando as mensagens atribuídas a essas entidades de Umbanda e Quimbanda durante as giras, percebi que, muitas vezes, elas não exibiam a profundidade ou a inteligência que se poderia esperar de um espírito de Luz ou de Lei. Dito mais claramente, na maioria das vezes não refletem um grau de inteligência ou insight profundo. Em vez disso, essas mensagens tendiam a ser vagas, genéricas, adaptáveis a uma ampla gama de situações, ou tranquilizadoras.

Clichês Espirituais e Conselhos Genéricos

Frequentemente, as mensagens se resumiam a clichês espirituais ou conselhos genéricos, como "tenha fé", "continue a lutar" ou "tudo vai ficar bem". Apesar de essas mensagens poderem proporcionar algum conforto ou encorajamento aos praticantes, elas faltavam de insight profundo ou ensinamento que se esperaria de uma verdadeira manifestação espiritual de Luz ou de Lei.

 

A preocupação de Allan Kardec com a influência do médium nas mensagens espirituais

Allan Kardec, codificador do espiritismo, compartilhou a preocupação de que a mente do médium pode influenciar as mensagens recebidas dos espíritos.

Para ele, é essencial que os médiuns estejam cientes dessa possibilidade.

Um Contraste com o Ensinamento de Kardec:

No entanto, se olharmos também para o padrão das mensagens a partir da perspectiva do ensinamento de Kardec, se torna claro que o que acontece na umbanda não é uma manifestação do tipo de inteligência espiritual. Isso sugere que as práticas da umbanda, pelo menos na forma que eu observei, podem não estar proporcionando o tipo de ensinamento espiritual profundo e sério que Kardec defendia. Em vez disso, podem estar servindo mais como um meio de proporcionar conforto emocional e gratificação imediata, sem oferecer o tipo de crescimento espiritual ou desenvolvimento que se espera de uma prática espiritual genuína.

Em contraste com os ensinamentos de Allan Kardec, as mensagens da Umbanda e da Quimbanda que observei não parecem refletir uma profunda inteligência espiritual. 

Um grande desafio por trás das incorporações mediúnicas, além da influência do médium sobre as mensagens, é preciso distinguir as manifestações recreativas das manifestações inteligentes

Kardec ensina que o espiritismo compreende duas partes: uma experimental, sobre as manifestações em geral, e outra filosófica, sobre as manifestações inteligentes. Quem observa apenas a primeira está na posição daquele que expérimenta experiências recreativas, sem ter ainda penetrado na profundidade do espiritismo.

 

A Verdadeira Missão de uma Entidade de Luz ou de Lei: Discussão

A reflexão sobre a verdadeira missão de uma entidade de Luz ou de Lei nos leva a algumas considerações relevantes. A visão kardecista nos apresenta a ideia de que atraímos espíritos ou entidades que compartilham nossas afinidades. Considerando a perspectiva da sobrevivência da alma, isso parece ser um princípio intuitivo e lógico. Afinal, assim como na vida terrestre nos aproximamos de pessoas que compartilham nossos interesses e valores, por que seria diferente no plano espiritual?

No entanto, é importante levarmos em conta a influência demonstrada do médium nas comunicações. Se, como diz a visão espirita kardecista  o médium atrai entidades ou espíritos com as quais compartilha afinidades, isso poderia limitar a variedade e profundidade das mensagens transmitidas. Afinal, as comunicações poderiam acabar reforçando as crenças existentes do médium, em vez de desafiá-las ou expandi-las.

Dito isso, quando nos referimos à verdadeira missão de uma entidade de Luz ou de Lei, não deveríamos esperar um propósito mais profundo e significativo do que simplesmente "fazer uma visita" ou transmitir mensagens vagas e tranquilizadoras ? Se estiverem realmente alinhadas com a Luz, não deveriam oferecer ensinamentos mais profundos, insights mais valiosos que vão além do que nossos amigos e familiares podem nos proporcionar ?

Essa perspectiva nos leva à necessidade de uma avaliação crítica do conteúdo das mensagens. Como Kardec nos convida a fazer, analisar o conteúdo das mensagens pode nos ajudar a discernir se estamos recebendo ensinamentos valiosos e profundos ou se estamos nos confortando com mensagens tranquilizadoras que refletem nossas próprias crenças.

Mas, então, perguntamo-nos: as mensagens dessas entidades de Luz ou de Lei estão à altura da profundidade e do valor que esperaríamos? Ou se tornam frequentemente superficiais, genéricas e tranquilizadoras? Se for o caso, o que isso revela sobre a nossa conexão com estas entidades?

Talvez a complexidade da mediunidade seja tão grande que não conseguimos encontrar o alinhamento perfeito para que as mensagens sejam realmente inteligentes e significativas. E essa consideração nos leva a um questionamento importante: Será que estamos realmente nos conectando com entidades de Luz ou de Lei, ou estamos apenas nos confortando com mensagens tranquilizadoras?

Essas reflexões indicam a necessidade de uma análise mais profunda e reflexiva sobre a natureza dessas mensagens espirituais. Devemos sempre manter uma postura crítica e questionadora para entender melhor a fonte e o significado dessas comunicações.

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